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Escrito por DCE Honestino Guimarães   
Qua, 26 de Janeiro de 2011 20:15

 
Nota pública do Diretório Central dxs Estudantes Honestino Guimarães e dos Centros Acadêmicos da Universidade de Brasília (UnB)*

Reportagens recentes chamaram a atenção da comunidade para a Universidade de Brasília. Desta vez, não por sua excelência acadêmica, protagonismo político, produção artística ou práticas inovadoras. Veiculou-se uma imagem distorcida do cotidiano da comunidade universitária, de cunho sensacionalista e autoritário, apresentando os Centros Acadêmicos (CAs) como espaços marginais de consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas.

Nas referidas matérias, um conjunto de CAs foi apresentado como o Corredor da Morte. O espaço localizado no subsolo do Instituto Central de Ciências - ICC, um dos principais prédios da UnB, seria palco de festas ilícitas. Além disso, estudantes utilizariam-no de forma irresponsável, depredando corredores, salas e banheiros.

O Corredor da Morte é assim chamado devido às condições insalubres e inseguras do local, que já se faziam presentes mesmo quando este era utilizado para ministrar aulas. Com o tempo, a área foi abandonada. Com o processo de expansão da UnB e criação de novos cursos,  evidenciou-se a falta de espaço destinado à organização das entidades representativas estudantis. A solução encontrada pela Administração da Universidade foi a instalação dos Centros Acadêmicos nas salas ociosas do Corredor, de forma provisória. No entanto, até agora, não houve qualquer debate na UnB que buscasse melhores alternativas às demandas dxs estudantes. 

Atualmente, restrições administrativas proíbem a venda de bebidas nos campi. Entretanto, vários setores da Universidade tem buscado uma convivência diversa e harmoniosa. Algumas soluções já foram consensuadas entre segmentos estudantis e a administração da UnB:

as festas próximas a áreas acadêmicas só podem ter som alto a partir do término das aulas dos cursos noturnos; os organizadores são responsáveis pela limpeza do local e têm de solicitar à prefeitura do campus a utilização deste com antecedência de pelo menos dois dias úteis para que, entre outras medidas, haja redistribuição da equipe de segurança.

O principal objetivo dos Happy Hours universitários é a integração dxs estudantes de cursos variados, bem como o financiamento de atividades estudantis: viagens acadêmicas e políticas, organização de seminários, cineclubes, saraus, manutenção do espaço físico, ações solidárias e apoio a projetos de extensão. Quando os eventos assumem dimensões além do que comportam os espaços físicos, deveriam ser utilizados locais como o Centro Comunitário, Teatro de Arena e Concha Acústica, previstos para esta finalidade. No entanto, a estrutura destes ainda é insatisfatória. A UnB precisa de espaços próprios de convivência e interação que permitam uma formação cidadã completa.


A integração estudantil é essencial em uma universidade aberta, plural e inovadora. Nas confraternizações, a utilização do espaço público permite a valorização da diversidade, o surgimento de expressões culturais, assim como o diálogo entre diferentes cursos, entre os segmentos universitários e com a comunidade externa à UnB. São espaços como estes que incentivam a mobilização estudantil para diversas lutas sociais, nas quais o movimento estudantil mostra sua reconhecida importência. A ocupação da reitoria em 2008 - que culminou com a saída da antiga administração superior da Universidade, envolvida em esquemas de corrupção, o movimento Fora Arruda e Toda a Máfia, o Trote Solidário e outras conquistas históricas só foram possíveis a partir desta integração. Não partilhamos da visão sisuda da Universidade como lugar destinado exclusivamente a salas de aula. A vida universitária é - e deve ser - bem mais ampla. É ensino, pesquisa e extensão; é arte, esporte e cultura; é debate, política e mobilização social; é solidariedade; é construção coletiva.

Também, ao contrário do que apontaram as reportagens, as confraternizações que ocorrem dentro do campus estão longe de fazer parte dos principais problemas da UnB. Infraestrutura precária, falta de laboratórios, Hospital Universitário sucateado, insegurança e insuficiência das políticas de acesso e permanência à Universidade são apenas algumas das dificuldades vivenciadas diariamente pelxs estudantes. Esta realidade, sim, compromete não só a convivência harmoniosa nos campi, mas também a tão prezada excelência acadêmica que, diferentemente do que afirmaram jornalistas que nada sabem sobre a Universidade de Brasília, é hoje reconhecida nacional e internacionalmente.

A resolução dos conflitos passa, necessariamente, pela organização e capacidade de mobilização estudantil. Enquanto isso, as decisões nos órgãos colegiados da Universidade continuam sendo, via de regra, antidemocráticas, não atendendo às demandas de todos os segmentos universitários. No entanto, numa tentativa deliberada de criminalização das organizações estudantis, não são estas as verdadeiras adversidades que tem recebido a atenção da mídia.

As entidades representativas e coletivos estudantis são importantíssimos ao processo de construção intelectual, moral e política, pois constituem-se em espaços verdadeiros de troca de idéias de maneira horizontal. É um exercício de cidadania. Por isso lutamos pela autonomia dos Centros Acadêmicos e a liberdade das diferentes formas de expressão do movimento estudantil. Assim,  poderemos construir conjuntamente a Universidade e a sociedade que queremos, da qual somos todas e todos parte essencial.

Para que seja possível termos uma vivência universitaria completa, é importante que sejamos corresponsáveis pelo uso dos espaços aproveitados para festas. Isso significa que as confraternizacões devem continuar e que a universidade deve cada vez mais dialogar sobre como melhorar os espacos de convivência.

Nesse sentido propomos que as festas sejam garantidas nos campi da UnB, com o respeito às atividades fim da Universidade, e que a convivência na UnB se dê a partir das seguintes condições:

  • Festas serão liberadas nos CAs a partir do fim do último turno de cada campus, às 22:40 quando houver cursos noturnos e às 18h, quando forem apenas diurnos;
  • CAs deverão informar com antecedência de dois dias à Prefeitura do Campus, sobre a realização do evento, incluindo horário de início e término previstos;
  • CAs serão responsáveis pela preservação e limpeza do espaço, inclusive após a atividade;
  • Administração da UnB deverá garantir uma atenção específica da equipe de segurança da Universidade, durante a realização da festa, para evitar depredação de patrimônio;
  • Será liberada a venda de bebidas alcóolicas pelos CAs e demais entidades representativas, durante as confraternizações;
  • Qualquer problema decorrente de uma confraternização será analisado, em primeira instância, por uma mesa de negociação paritária formada por representantes estudantis (DCE e comissão de CAs) e representantes da Administração da UnB (PRC, COPP e DAC);
  • Sempre na criação de cursos novos ou construção de prédios acadêmicos deverá ser levada em conta a necessidade de um espaço físico para a sede do Centro Acadêmico em questão, com consulta aos representantes estudantis quanto à sua localização;
  • Todas regras de convivência devem ser as mesmas para todos os campi da Universidade.

 *Esta nota foi aprovada pelo Conselho de Entidades de Base (CEB) reunido em 25 de janeiro de 2011.

 

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